As dores nos ombros, cotovelos, quadris ou joelhos são queixas muito comuns no consultório ortopédico. Muitas vezes, essas dores têm origem em inflamações de estruturas que ajudam na movimentação das articulações: os tendões e as bursas.
Quando essas estruturas se inflamam, surgem duas condições bastante conhecidas: tendinite e bursite.

Embora os nomes sejam parecidos, e até possam ocorrer juntas, elas afetam tecidos diferentes. Entender o que é cada uma, suas causas, sintomas e formas de tratamento é fundamental para que o paciente possa cuidar melhor da sua saúde e evitar que o problema se torne crônico.
Médico especialista em Bursite e Tendinite

O médico especialista em bursite e tendinite é o Ortopedista.
Dr Willer Thibério é médico ortopedista em Cuiabá. Atende atualmente no consultório na cidade de Cuiabá.
Dr Willer Thibério é médico formado pela Universidade Federal de Mato Grosso com especialização em ortopedia e traumatologia pela Universidade de São Paulo – Ribeirão Preto.
Possui também complementação especializada em Cirurgia de Joelho e Trauma de membros inferiores e pós-graduando em medicina regenerativa musculoesquelética.
Na consulta, o paciente é avaliado de forma completa e individualizada. Dedica tempo para ouvir com atenção as queixas, compreender a história clínica e realizar um exame físico detalhado.
Além disso, utiliza o ultrassom como ferramenta complementar durante a avaliação, o que permite identificar alterações em músculos, tendões, ligamentos e articulações em tempo real. Essa abordagem integrada garante um diagnóstico mais preciso e um plano de tratamento personalizado, sempre com foco na recuperação e no bem-estar do paciente.
O que é Tendinite?
A tendinite é a inflamação de um tendão, estrutura fibrosa que liga o músculo ao osso e é essencial para a realização de movimentos. Os tendões funcionam como “cordas” que transmitem a força do músculo até o osso, permitindo o movimento de dobrar, esticar, levantar ou girar uma articulação.
Quando um tendão é submetido a esforço excessivo, movimentos repetitivos ou impactos, ele pode sofrer pequenas lesões microscópicas. O organismo reage a essas lesões com um processo inflamatório e é aí que surge a tendinite.
Com o passar do tempo, se a inflamação não for tratada adequadamente, o tendão pode sofrer um processo degenerativo, chamado de tendinose, no qual as fibras começam a se desorganizar e enfraquecer, tornando-se mais suscetíveis a rupturas.

Atualmente preferimos o termo Tendinopatia, pois sabemos que na maioria dos casos não há inflamação inicial, e sim um processo de degeneração e sobrecarga do tendão, causado por uso excessivo, microlesões repetitivas ou envelhecimento natural dos tecidos.
O que é Bursite?
Já a bursite é a inflamação de uma bursa. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido que funcionam como “almofadas” entre ossos, tendões e músculos, reduzindo o atrito durante os movimentos. Elas estão presentes em várias articulações do corpo, como ombro, quadril, cotovelo e joelho.
Quando há sobrecarga, trauma ou atrito repetitivo sobre uma dessas bursas, ela pode inflamar e acumular líquido, causando dor, inchaço e limitação dos movimentos. Essa é a chamada bursite.

Assim como na tendinite, o processo inflamatório pode se tornar crônico se não for tratado, levando a crises recorrentes de dor e rigidez.
O que pode causar a Bursite e Tendinite?
As causas da bursite e da tendinite geralmente estão relacionadas a movimentos repetitivos e sobrecarga. Porém, também existem fatores anatômicos e doenças que podem favorecer o surgimento dessas inflamações.

Entre as causas mais comuns estão:
- Movimentos repetitivos: atividades profissionais ou esportivas que exigem movimentos contínuos de uma articulação (como digitar, costurar, pintar, carregar peso ou jogar tênis).
- Postura inadequada: má postura durante o trabalho, sono ou exercícios físicos pode gerar sobrecarga em determinadas articulações.
- Esforço físico intenso: levantamento de peso sem preparo, movimentos bruscos ou atividades acima do limite do corpo.
- Traumas diretos: pancadas, quedas ou impactos locais.
- Doenças reumatológicas: condições como artrite reumatoide, gota e lúpus podem inflamar bursas e tendões.
- Idade: com o envelhecimento, os tendões perdem elasticidade e a bursa se torna mais vulnerável a inflamações.
- Alterações biomecânicas: desalinhamentos nos membros, fraqueza muscular ou diferenças de comprimento entre as pernas também podem contribuir.
Quais são as regiões mais afetadas pela bursite e tendinite?
Ombro
O ombro é uma das articulações mais móveis do corpo, e por isso está entre as mais acometidas.
- Tendinite do manguito rotador: inflamação dos tendões que estabilizam o ombro, como o supraespinhal.
- Bursite subacromial: inflamação da bursa localizada entre o acrômio e os tendões do manguito rotador.
Essas duas condições muitas vezes aparecem juntas e causam dor ao levantar o braço, alcançar objetos ou vestir roupas.
Cotovelo
- Tendinite lateral (epicondilite lateral): conhecida como “cotovelo do tenista”, causa dor na parte externa do cotovelo.
- Tendinite medial (epicondilite medial): conhecida como “cotovelo do golfista”, provoca dor na parte interna.
- Bursite olecraniana: inflamação da bursa na ponta do cotovelo, geralmente causada por apoio prolongado ou trauma direto.
Quadril
- Bursite trocantérica: inflamação da bursa que fica sobre o osso lateral do quadril (trocânter maior). É muito comum em mulheres e pode causar dor ao deitar de lado.
- Tendinite glútea ou iliopsoas: gera dor na lateral ou na frente do quadril, podendo irradiar para a coxa.
Joelho
- Bursite pré-patelar: ocorre na frente da patela (rótula), comum em pessoas que se ajoelham com frequência.
- Tendinite patelar: também chamada de “joelho do saltador”, afeta o tendão logo abaixo da patela, típica em atletas que pulam ou correm.
Tornozelo e pé
- Tendinite de Aquiles: inflamação do tendão que liga o músculo da panturrilha ao calcanhar. É comum em corredores e esportistas.
- Bursite retrocalcânea: inflamação da bursa entre o tendão de Aquiles e o osso do calcanhar.
O que você pode sentir com bursite ou tendinite
Os sintomas da bursite e da tendinite são semelhantes e variam conforme a localização, mas os principais incluem:

- Dor localizada: geralmente próxima à articulação e que piora com o movimento.
- Sensibilidade ao toque: a região pode ficar dolorida ao pressionar.
- Inchaço e calor local: mais comum nas bursites.
- Rigidez e limitação de movimento: dificuldade para levantar o braço, caminhar, dobrar o joelho, etc.
- Fraqueza muscular: em casos crônicos, a dor pode levar à diminuição da força.
Em casos agudos, a dor costuma surgir de forma súbita e intensa. Já nas formas crônicas, a dor é mais leve, mas persistente, podendo piorar com esforço ou frio.
Como é feito o diagnóstico da bursite e tendinite?
O diagnóstico é feito por um médico ortopedista, com base na história clínica, exame físico e, se necessário, exames de imagem.

Durante a consulta, o médico avalia os movimentos que provocam dor, a força muscular e a presença de inchaço ou deformidade.
Exames que podem auxiliar incluem:
- Ultrassonografia musculoesquelética: mostra inflamações, espessamentos e líquido nas bursas.
- Ressonância magnética: permite avaliar com mais detalhe o tendão e descartar rupturas.
- Raio-X: útil para excluir causas ósseas associadas, como esporões.
Como é feito o tratamento da bursite e tendinite?
O tratamento da bursite e da tendinite tem como objetivo reduzir a dor, controlar a inflamação e restaurar a função da articulação.
Ele pode envolver medidas simples, medicamentos, fisioterapia e, em casos mais resistentes, procedimentos específicos.
1. Repouso e modificação de atividades
Evitar os movimentos que desencadearam a inflamação é o primeiro passo. O repouso relativo ajuda o tendão e a bursa a se recuperarem. Isso não significa imobilização total, mas sim dar um tempo para a articulação.
2. Compressas e anti-inflamatórios
Compressas frias podem ajudar nos primeiros dias, reduzindo dor e inchaço.
O uso de anti-inflamatórios orais ou tópicos também é comum para aliviar os sintomas.

3. Fisioterapia
A fisioterapia tem papel essencial. Ela inclui:
- Alongamentos para melhorar a flexibilidade;
- Fortalecimento muscular para proteger a articulação;
- Técnicas de liberação miofascial e reeducação postural;
- Recursos analgésicos.

4. Infiltrações
É possível também realizar uma infiltração na bursa ou ao redor do tendão, para reduzir a inflamação local rapidamente.
Hoje, muitos desses procedimentos são feitos guiados por ultrassom, o que aumenta a precisão e a segurança.

5. Procedimentos regenerativos
Em casos crônicos, nos quais há degeneração do tendão e o tratamento convencional não resolve, podem ser indicadas terapias regenerativas, como o PRP (plasma rico em plaquetas) e outros procedimentos guiados por ultrassom.
Essas técnicas utilizam o próprio sangue do paciente, concentrando fatores de crescimento que estimulam a regeneração dos tecidos, reduzindo dor e melhorando a função.
6. Cirurgia
A cirurgia é reservada para casos raros, geralmente quando há ruptura tendínea significativa ou quando a bursite é causada por deformidades ósseas que precisam ser corrigidas.
Prevenção
A melhor forma de prevenir bursite e tendinite é cuidar do corpo no dia a dia, respeitando seus limites e fortalecendo a musculatura. Algumas dicas importantes incluem:

- Evite movimentos repetitivos por longos períodos.
- Faça pausas durante o trabalho para alongar.
- Mantenha uma boa postura ao sentar e trabalhar.
- Pratique atividade física regularmente, com orientação profissional.
- Fortaleça os músculos que sustentam as articulações.
- Alongue antes e depois dos exercícios.
- Use calçados adequados.
- Evite carregar pesos de forma incorreta.
A bursite e a tendinite são inflamações comuns, mas que podem causar grande impacto na qualidade de vida quando não tratadas corretamente. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes se recupera completamente e volta às suas atividades normais.
O papel do ortopedista é fundamental nesse processo: identificar a causa da dor, orientar o melhor tratamento e prevenir que o problema se torne recorrente.
Manter o equilíbrio entre atividade física, postura correta e cuidados com o corpo é o melhor caminho para evitar essas inflamações e preservar a saúde das articulações.
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